Templates da Lua

Créditos

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Freud é foda


Freud explica...
Não fica louco quem quer.




Nunca se falou tanto sobre esquizofrenia no Brasil. O motivo da popularização de tema, claro, é da novela das oito que apresenta tal comprometimento psíquico.
Sabe-se do impacto da mídia na vida das pessoas: basta estar na televisão para virar assunto de debate nacional. O que , diga-se, é muito bom, mas quando o drama da telenovela se apóia no conhecimento do caso real. Assim, aquilo que sempre ficou restrito aos especialistas, passa a ser disseminado para a grande massa, e as doenças mentais são ressignificadas.


O personagem atual tem caracterizado sintomas importantes, como escutar vozes, ver coisas que não existem, ter a idéia fixa de perseguição. Esses sintomas fazem partem do quadro clinico da esquizofrenia, mas não são suficientes para caracterizar tal patologia. O que a novela retrata é que o personagem desencadeou seus sintomas de alucinação e delírio a partir de um conflito muito intenso familiar, o que acaba sendo muito simplista para definir que a causa da loucura está apenas ai. Iniciamos nosso texto com uma frase celebre do psicanalista Jacques Lacan: “Não fica louco quem quer”. Para a psicanálise, o fato de haver eventos na vida da pessoa que podem ser tidos até como “enlouquecedores” não significa que sejam suficientes para determinar que tal pessoa ficará, digamos, louca, mas acontece com aquela que possui uma “ estrutura psicótica”. Isso demonstra, então, que um sujeito, antes de entrar em surto, comporta-se como aparentemente “normal”, é como se o mesmo estivesse caminhando com uma bengala e de repente essa bengala se quebra e ele cai em surto.


Existem alguns comportamentos que alguns de nós cometemos em nossa vida, como falar sozinho, perder alguma coisa ou mesmo esquecer de algo. Isso sempre intrigou Freud, que não acreditava na ocorrência acidental das coisas; eram manifestações de nosso inconsciente. Desta forma, o que a psicanálise sempre veio nos trazer a partir de Freud é que nada acontece por acaso, tudo tem uma explicação que faz parte da nossa historia de vida e que precisa ser tratado com apoio de uma equipe multiprofisional.


Com a família e pessoas mais próximas, a relação torna-se complicada, pois não é nada fácil conviver com um psicótico, principalmente pela angustia em não conseguir mais reconhecer aquela pessoa de antes. Muitas vezes, o sujeito não aceita que está doente e que precisa de um tratamento adequado.


Nesse momento, cabe a família contornar tal situação. Não adianta que aquela pessoa (ou “monstro”) que ela está vendo simplesmente não é real. A atuação nos cuidados com um psicótico começa e termina em casa e requer muita paciência. Na maioria das vezes, a família também precisa de apoio para lidar melhor com essa nova realidade que vai ter que enfrentar.
Apesar de estar na novela das oito, em revistas, livros e principalmente ao nosso redor, ainda existe um preconceito absurdo sofrido por quem tem ou convive com a psicose. É comum sentir estranhamento ao nos depararmos com um sujeito que, por exemplo, diz que acha que está sendo perseguido ou observado por câmeras escondidas, quando eles verbalizam que alguém dentro de sua mente esta falando por ele, está lhe dando ordens, ou que, ao conversarem, apresentem idéias confusas, desorganizadas, desconexas. No lugar do estranhamento, devemos entender que essas pessoas precisam de apoio e tratamento para um possível retorno ao convívio em sociedade.


Raquel Gomes da Silva e Roberta Santos Gondim
Psicólogas – Especialistas em Teoria Psicanalítica

Nenhum comentário:

Postar um comentário