
“Isso é musica de velho” é o que a geração “clap your hands” diz quando ouve Raul. A mente foi tão deteriorada pelas batidas “dance” e suas letras que não falam coisa com coisa que eles não têm a capacidade de perceber quando estão ouvindo uma musica de qualidade. Eles não conseguem perceber a filosofia que Raul utilizava em suas letras para descrever sua maneira de pensar sobre o mundo a sua volta, questionando a situação do pais de maneira irônica. Como um ser desses pode falar mal de Raul se eles ouvem “Body Everybody” e dizem que é a musica de suas vidas? Para você que é fã de Raul e pra você que é um merda que acha que entende de musica, ouvindo Lady Gaga, vamos sacar um pouco da historia de Raul, na verdade sobre seus últimos momentos.
Enquanto o Brasil estava curtindo a Bossa nova e suas estórias de barquinhos e amores que vem e vão, o maluco beleza já se aventurava por ai com sua guitarra e seus covers de Elvis e outros astros do rock internacional. Só depois do movimento Tropicália (viadagem) é que os bocós começaram a perceber que tinha um brother ali tocando sua guitarra e misturando rock com baião. Um brother tão foda que uniu a musica a filosofia.
Assim como um de seus ídolos, Elvis Presley, Raul conseguiu se eternizar. Seus sucessos são tocados até hoje nas rádios e estão na boca do povo. Quem nunca cantou “Eu vou ficar maluco beleza...” no banho?
O seu sucesso pouco antes de sua morte era cheia de altos e baixos. O álcool foi um grande companheiro de Raul, mas também sua perdição. Quando velhos sucessos começaram a tocar repetidamente nas rádios na tarde daquela segunda-feira, 21 de agosto de 1989, não foram poucos os que se surpreenderam. Com Raul ausente das paradas desde “Cowboy Fora da Lei”, dois anos antes, escutar antigos hits como: “Ouro de Tolo”, “Gita”, “Metamorfose Ambulante” e “Maluco Beleza” no meio da programação regular – que então ia da revelação Marisa Monte e Chitãozinho e Xororó e Milli Venilli, passando por Legião Urbana – deveria significar alguma coisa. E a noticia não demorou a chegar.
Se para muitos foi uma surpresa, para os que acompanhavam o artista era mais do que esperado. Suas ultimas aparições publicas causavam um misto de choque e comoção. Mesmo com a saúde bastante debilitada, a lenda do rock brasileiro arrastava multidões em seus shows. Apoiado pelo amigo e discípulo Marcelo Nova, acabara de realizar uma extensa e bem-sucedida excursão por todo o País. A derradeira apresentação foi em Brasília, poucos dias antes de ser encontrado morto no modesto apartamento onde morava em São Paulo. A semana que seguiu ao show no Planalto Central seria de descanso e de preparação para as atividades programadas para o lançamento do disco gravado nos intervalos das apresentações pelo Brasil.
“A Panela do Diabo”, batizado pela dupla por inspiração de evangélicos que distribuíam panfletos comparando Raul ao Belzebu na porta de um show no interior de São Paulo, era o resultado da parceria que uniu os dois irrequietos baianos no momento em que o País vivia uma de suas mais importantes transições.
As primeiras apresentações conjuntas de Raul e Marcelo Nova foram na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, a apenas duas semanas da promulgação da Constituição de 1988. Mas se os novos tempos traziam liberdade total de expressão, o que faltava agora a Raul era motivação. Diabético, com uma pancreatite crônica decorrente do alcoolismo e recém-separado da ultima das cinco mulheres com que foi casado, estava depressivo e amargurado. O sarcasmo, a ironia e a índole zombeteira e verborrágica que por anos marcava suas aparições e musicas deram lugar a uma figura calada.
O convite do ex-lider do Camisa de Vênus para os shows – junto a um necessário acompanhamento médico – deu uma injeção de animo em Raul. Já na chegada a Salvador para as primeiras aparições a dupla chegou zombando de Gilberto Gil, que dava na capital baiana os primeiros passos da carreira política que culminaria anos depois com o cargo de ministro da cultura no governo de Lula. O atual presidente, na época disputando a sua primeira eleição presidencial, também foi alvo da dupla. Com a inédita campanha eleitoral para a escolha do novo presidente a pleno vapor em meados de 1989, o magro barbudo e Marcelo declaravam que não acreditavam em alguém que não ria, referindo-se a sisudez do petista, considerada um dos principais fatores da rejeição a ele.
Raul não viveria para ver o relativo sucesso do disco. Morreu aos 44 anos no dia em que o LP chegava as lojas. Também não viu o resultado daquelas eleições, a iminente queda do muro de Berlim, a chegada da MTV, os anos 90, a internet.
Isso só foi um pouco sobre Raul. Para você cabeça mole que acha que isso ainda é musica de velho deveria para de bater punheta ouvindo Nx-zero e Fresno e perceber que a maioria das bandas que existem hoje tem influencias de Raul com: Jota Quest, Skank, Raimundos entre outros.
Vinte anos depois da sua morte, continuamos descobrindo Raul Seixas – ver, entender e compreender o homem por trás do Maluco Beleza.
Frases:
“A arte de ser louco é jamais cometer a loucura de ser um sujeito normal.”
“Ninguém tem o direito de me julgar a não ser eu mesmo. Eu me pertenço e de mim faço o que bem entender.”
“Só há amor quando não existe nenhuma autoridade.”
“Quero ter a certeza dos loucos que brilham. Pois se o louco persiste na sua loucura, acabará sábio.”
“Eu não sou louco, é o mundo que não entende minha lucidez.”
“Antes de ler o livro que o guru lhe deu, você tem de escrever o seu.”
Raul Santo Seixas
‡ 28/06/1945
† 21/08/1989
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