Templates da Lua

Créditos

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

The Spirit de Will Eisner


THE SPIRIT

Criado pelo desenhista, roteirista e editor Will Eisner, nome mais influente do quadrinho americano, o Spirit surgiu junto com a febre dos super-herois que dominou a indústria das HQs em 1938, com a chegada do Super Man. Com trabalhos sob encomenda para diversas editoras, Eisner criou uma leva de super-herois para atender o novo mercado, como Blackhawk, Black Condor, Doll Man, Tio Sam e até Wonder Man, um plágio descarado do Super Man. Mas foi a partir de um convite de Everett M Arnold, um dos editores da Quality Comics, que as comics ganharam novos rumos. Eisner foi chamado para produzir a historia principal de um novo formato de quadrinhos publicados em jornais. Ao invés de distribuir as historias como tiras, todas seriam reunidas em um suplemento de 16 páginas, para ser vendido junto à edição de domingo.
Eisner não planejava nada relacionado a super-herois, já Everett não abria mão do conceito. Depois de algumas discussões, estreava em 2 de junho de 1940, na primeira edição do Comic Book Section um super-herói muito diferente dos outros: The Spirit, um detetive mascarado que se envolvia com belas e mortais criminosas, se feria e nem sempre vencia no final.

Origem

A primeira historia de Spirit começa com o ultimo caso de Denny Colt, detetive de Central City no encalço de um cientista renegado. O Dr. Cobra. Após invadir o seu covil, Denny é exposto a um produto químico, dado como morto e enterrado no cemitério de Wildwood. O que ninguém poderia imaginar é que o produto de Cobra não causava a morte, mas uma espécie de catalepsia. Ao acordar dentro de um caixão Denny arromba a própria tumba e, desorientado, procura seu grande amigo, o Comissário Dolan, para contar a sua historia. Ao perceber que poderia se beneficiar com a situação, Denny se muda em definitivo para um jazido de cemitério e passa a caçar e prender criminosos procurados, “vivendo folgadamente com o dinheiro arrecadado com recompensas”, nas palavras do próprio Dolan.
Para ocultar sua identidade, nada além de uma pequena máscara azul, que segundo a lenda, foi uma imposição de Everett para o visual ficar mais heróico. No combate ao crime, o detetive nunca usava armas e contava apenas com a intuição e seus punhos. Eventualmente, o Spirit recebia a ajuda de Dolan ou de Ébano Branco e Gordura, dois garotos que agiam como
informantes.

Uma Revolução

O Spirit pode ser considerado revolucionário em todos os sentidos. Arte e argumento se fundiam de forma única, em obras primas de sete paginas lançadas a cada suplemento, que ficou conhecido como The Spirit Section. A temática fugia do convencional, ao mostrar um homem comum sem poderes ou uniformes colantes, usando de inteligência e malandragem contra os criminosos, na melhor tradição do romance policial de autores como Raymond Chandler, em historias repletas de detetives durões e mulheres fatais. Aliás, mulheres fatais são um capitulo à parte: sedutoras e mortais, Silk Satin, Sand Saref, Silken Floss, P’Gell e muitas outras sempre foram o ponto fraco do herói conquistador, apesar de seu eterno namoro com a filha do comissário.
Outro detalhe inovador é que, assim como na vida real, o Spirit podia perder. Seus casos nem sempre eram resolvidos, os bandidos podiam se safar no ultimo momento e às vezes em que o detetive foi espancado, quebrou partes do corpo ou foi atingido por tiros e facadas mostravam aos leitores que a vida de combatente do crime não era fácil.
Quanto às referencias, fica claro que o Spirit recebeu influencias do Dick Tracy de Chester Gould, principalmente em relação à galeria de vilões. Mas a grande influencia da série sempre foi o cinema. Silk Satin foi inspirada em Katherine Hepburn, no filme Sylvie Scarlet, e P’Gell é muito parecida com a atriz Lauren Bacall.
A linguagem cinematográfica aparecia descaradamente no desenho de Eisner e pode-se dizer que o artista reinventou a forma de fazer quadrinhos ao inovar em enquadramento, iluminação, cortes e ritmo de narrativo. Isso elevou os quadrinhos a um novo nível com soluções utilizadas até hoje pelos desenhistas. As referencias ao cinema eram tantas que Eisner já foi chamado de “Orson Welles das HQs”, da mesma forma que Spirit é considerado o seu Cidadão Kane.

Esforço de Guerra

Em 1942, Eisner foi convocado pelo exercito americano para produzir cartazes e tiras para divertir e educar as tropas, mas isso não o impediu de enviar pelo correio rascunhos e idéias de roteiro do detetive mascarado para serem finalizadas por seu estúdio. Ao final de 1942, o Spirit passou a ser produzido de forma integral pelos artistas do estúdio, em especial Lou Fine nos desenhos e William Woolfok e Manly Wade Wellman, nos roteiros que atuavam como “colaboradores fantasmas”, sem assinar os trabalhos. Apesar de não manter o mesmo nível das historias originais, a equipe conseguiu segurar a publicação e o interesse do público.
Importantes nomes das Hqs passaram pelo estúdio de Eisner. Artistas como Bob Kane (Batman), Jack Kirby (Capitão América), Jack Cole (Homem Borracha), Joe Kubert (Sargento Rock), Wally Wood (Demolidor), George Tuska (Homem de Ferro), Jules Feiffer (cartunista do The Village Voice) e o haitiano André LeBlanc (Fantasma), que anos mais tarde se mudaria para o Brasil, onde realizou diversos trabalhos para a Ebal.

Melhor Fase do Herói

Em 1945, Eisner recebeu dispensa do exercito e voltou cheio de idéias para produzir as Hqs do seu herói detetive. È o inicio do que os especialistas consideram a “fase de ouro” do Spirit, com as famosas paginas de abertura em que o logotipo do mascarado sempre surgia de uma forma diferente. Também foi o período em que diversas vezes o Spirit se tornou coadjuvante em suas próprias Hqs, que se focavam cada vez mais nos dramas do homem comum, como na comovente historia de Gerhard Shnobble, um homem que sonhava em voar.
Por fim, com a declaração de que tinha feito tudo o que era possível dentro daquele universo, Eisner encerrou a produção do Spirit em 28 de setembro de 1952, com a incrível soma de 12 anos ininterruptos publicados, mais de 600 historias, cinco milhões de leitores semanais no auge da popularidade e uma tira diária para jornais que durou de 1941 a 1944. É importante citar que grande parte do sucesso de Spirit se deve ao total controle de Eisner sobre sua obra, ao contrario dos outros personagens criados pelo artista, que se tornaram propriedade das editoras que encomendavam os trabalhos.
Depois do fim, diversas editoras tentaram republicar historias do Spirit em projetos de curta duração. Entre as iniciativas que merecem destaque, está um numero do New York Magazine de 1966 e mais duas edições de uma revista lançada pela Harvey Comics, que não tivera continuidade. Em 1972, a Kitchen Sink lançou duas coletâneas do personagem, que foram o inicio do grande projeto da editora. A partir de 1983, a Kitchen passou a republicar historias do detetive mascarado, em 10 anos contínuos de um cuidadoso trabalho editorial. Isso gerou fôlego suficiente para a primeira experiência fora das telas com o detetive, um filme televisivo do Spirit produzido em 1986, que pretendia ser o piloto de um seriado. Uma pena que os produtores não conseguiram o humor irônico e sutil do herói. Aliado ao baixo orçamento, uma trama passada nos anos 80 e um ator pouco carismático no papel principal (Sam Jones, o Flash Gordon do filme de 1980), o projeto fracassou. Mas esses deslizes não macularam em nada a reputação do personagem nos quadrinhos, que no final da década de 90 passou a ser republicado pela DC Comics, na série de encadernados de luxo Will Eisner’s The Spirit Archives.
Ainda em 1997, a Kitchen Sink publicou oito edições de The Spirit – The New Adventures, uma fantástica coletânea com as maiores estrelas dos quadrinhos prestando homenagem em historias inéditas com o detetive. Participaram do projeto artistas como Alan Moore, Neil Gaiman, Dave Gibbons, Paul Chadwick, Eddie Campbell e Moebius.

O Retorno

No final de 2006, a DC lançou uma edição especial estrelada por Batman e Spirit, que deu inicio a uma nova revista mensal, com arte e argumento de Darwyn Cooke (DC: A Nova Fronteira), encarregado da difícil tarefa de continuar o trabalho de Eisner, além de atualizar o detetive aos nossos tempos. Cooke desenvolveu um elogiado trabalho, seguido pela atual equipe criativa, Mark Evainer e Sergio Aragonés nos roteiros e Paul Smith na arte. A escolha de surpreendeu os leitores, já que Evainer e Aragonés são famosos por seu trabalho humorístico. Mas os artistas também são fanáticos pelas historias de Eisner e têm mantido o bom nível da revista.
Infelizmente, Eisner não chegou a ver a continuidade de seu trabalho pois morreu em 2005, aos 87 anos no Centro Médico da Flórida, em Lauderdale Lakes. Em homenagem ao autor, a mais famosa premiação doa quadrinhos leva o seu nome, o Prêmio Eisner, criado em 1988.

Um Espírito no Brasil

A historia do Spirit em nosso país é longa e passa por diversas editoras que, desde a década de 40, publicam os casos do detetive. Passando por pioneiros como Suplemento Juvenil, Globo Juvenil e Gibi Semanal, coletâneas muito parecidas com The Spirit Section, até a ultima série de encadernados lançados pela Acme na década de 90. As novas historias do herói vem sendo publicadas pela Panini Comics, mas o material clássico do personagem continua sem novas republicações. Isso é uma pena, já que em suas diversas visitas ao Brasil, Eisner dizia que era mais reconhecido aqui do que nos Estados Unidos. O autor fez grandes amizades entre os quadrinhos nacionais e foi tema de um documentário, o Will Eisner – Profissão Cartunista.

De volta as telas

O anuncio de um filme do Spirit, escrito e dirigido por Frank Miller – um dos maiores discípulos de Eisner – fez a alegria dos fãs. Grande conhecedor do universo do personagem, Miller destacou um time de beldades para interpretar as mulheres da vida do detetive, com Eva Mendes (Sand Saref), Scarlett Johansson (Silken Floss), Sarah Palson (Ellen Dollan) e Paz Vega (Plaster de Paris). Curiosamente, Miller não utilizou duas das personagens mais famosas das Hqs, Silk Satin e P’Gell, prova de que o diretor guardou munição para uma possível continuação.
Mas as polemicas começaram assim que as primeiras imagens foram divulgadas. Os leitores ficaram em duvida sobre o que esperar da adaptação, que ganhou visual semelhante a Sin City, filme baseado numa revista de auditoria do próprio Miller e estranhas declarações do diretor, de que o Spirit (Gabriel Macth) teria superpoderes. Isso somado as fotos que mostram de forma caricata o vilão Octopus (Samuel L. Jackson), personagem que nunca mostrou o rosto nas Hqs, só aumentou a apreensão dos fãs. A produção estreou nos Estados Unidos em 25 de dezembro, com criticas negativas e uma bilheteria abaixo do esperado, indícios de que talvez Miller tenha se dedicado demais ao visual do filme e pouco ao roteiro.
Mas seja qual for o resultado nos cinemas e mesmo com décadas de distancia, as divertidas e humanas tramas, do detetive mascarado continuarão a encantar gerações de leitores.

Matéria extraída da revista Mundo dos Super-herois n°14 de fevereiro de 2009

downloads:

Batman/Spirit
http://www.mediafire.com/?cktfwfmdbyj

Série de 2007

The Spirit #01
http://www.mediafire.com/?f0nywtld11t
http://www.mediafire.com/download.php?ymjjy4bzmnj
The Spirit #02
http://www.mediafire.com/?fnpjhdzzdmg
http://www.mediafire.com/download.php?fhjovtjyzdn
The Spirit #03
http://www.mediafire.com/?jvg1ifdnjgu
http://www.mediafire.com/download.php?jnzamdyzryt
The Spirit #04
http://www.mediafire.com/?wftueetmbng
http://www.mediafire.com/download.php?nmvnglymlte
The Spirit #05
http://www.zshare.net/download/2007184643228f8e/
The Spirit #06
http://rapidshare.com/files/161257401/The_Spirit_06_GiBiscuits_BR.cbr
The Spirit #07
http://www.4shared.com/file/70864915/d1ee95b7/The_Spirit_07_2007__GiBiscuits_BR.html
The Spirit #08
http://www.4shared.com/file/74023716/3232d100/The_Spirit_08_2007__Gibiscuits_BR.html
The Spirit #09
http://www.4shared.com/file/98120274/876ed14c/The_Spirit_09__2007__Gibiscuits.html
The Spirit #10
http://rapidshare.com/files/235794455/The-Spirit_010__2007__Gibiscuits_Tropa-BR.cbr
The Spirit #11
http://www.4shared.com/file/105611431/9900fdb5/The_Spirit_11_Gibiscuits_Tropa-BR.html
http://www.mediafire.com/?munhiaymvjm
The Spirit #12
http://www.4shared.com/file/107554090/c0b4b800/The_Spirit_12_Gibiscuits.html











3 comentários:

  1. Se alguém kiser as outras edições de Spirit, eu o convido a visitar o forum soquadrinhos.
    www.soquadrinhos.com

    ResponderExcluir
  2. Consegui três histórias originais do Spirit, no blog Gibis Clássicos. É só digitar The Spirit Will Eisner, que vai aparecer nas Revistas Tintin Semanal. E foi só o que consegui. Ainda com linguagem em português de Portugal.

    ResponderExcluir