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Créditos

terça-feira, 13 de outubro de 2009

IRON MAN




O Homem de Ferro (Iron Man, em inglês) é um personagem de HQ da Marvel Comics. Sua identidade secreta é o empresário Anthony Edward Stark. O Homem de Ferro foi criado por Stan Lee em 1963, com projeto de Don Heck nos desenhos, sua primeira aparição foi em Tales of Suspense # 39 e foi publicada no Brasil em Heróis da TV # 100.
Como Tony Stark, o Homem de Ferro é um gênio da engenharia de automação. Nunca faltou dinheiro para seus projetos, pois herdou a fortuna e os empreendimentos de seu pai aos 21 anos, quando este faleceu em um acidente. Dada a sua juventude, criou para si uma fama de playboy milionário. Essas características foram inspiradas no milionário americano da vida real, Howard Hughes.

Origem

Durante a guerra do Vietnã, o inventor e industrial Tony Stark aproveitou a oportunidade para melhorar o armamento americano, e ampliar sua fortuna. Em sua primeira visita ao Vietnã acabou acidentalmente acionando uma armadilha, Stark sobreviveu à explosão, mas estilhaços da bomba atingiram seu coração. Os vietcongues o capturaram e foi levado até o líder Wong Chu. Restavam apenas alguns dias de vida para o americano, e Wong Chu o forçou a criar uma poderosa arma e prometeu que depois ele seria operado dos estilhaços. Tony decidiu obedecer, mas não criou uma arma, e sim algo que o mantivesse vivo e permitisse derrotar o vietcongue. Preso com ele estava outro gênio, o professor Yin Sen. Stark revelou seu plano ao professor, e Yin Sen o ajudou a construir a armadura que o manteria vivo. Inventou um traje especial, um exo-esqueleto superequipado semelhante a uma armadura.
Quando Stark experimentava a armadura, homens de Wong Chu se aproximaram. Para impedir que entrassem na sala e interrompessem o processo que recuperaria o coração de Tony, o velho professor começou a gritar contra a tirania para lhes chamar a atenção. O cientista foi fuzilado. Mas foi o tempo suficiente para que Stark se recuperasse e se acostumasse a usar a estranha e patética armadura cinza que criaram.
O Homem de Ferro enfrentou as tropas e as derrotou, sua armadura resistia aos disparos contra ele. Wong Chu tentou fugir, e o Homem de Ferro incendiou o galpão de munições fazendo com que a explosão o matasse. Wong Chu foi morto e os prisioneiros libertados.
Desde então Stark desenvolveu novas versões de sua armadura, e adotou as cores vermelho e dourado como os padrões da armadura. Com o traje cada vez mais aperfeiçoado, Tony Stark passou a atuar como super-herói, combatendo toda sorte de inimigos dos Estados Unidos.
No começo de suas atuações, e para que ninguém desconfiasse, Stark espalhou o boato de que o Homem de Ferro era seu guarda-costas. Nas aventuras dos anos 70 e 80, era comum heróis, vilões e coadjuvantes do Universo Marvel se referirem ao Homem de Ferro como "o lacaio de armadura". Apenas seu motorista, Harold "Happy" Hogan, e sua secretária, Virginia "Pepper" Potts, sabem da identidade secreta de Stark.
Na versão original Tony Stark colaborava com as forças armadas americanas, desenvolvendo armas e maquinários destinados aos confrontos da Guerra Fria. Seus inimigos frequentes eram os comunistas (russos, asiáticos ou latino americanos), enfrentando como Homem de Ferro rivais tecnológicos como o Dínamo Vermelho (ou Escarlate) e o primeiro Homem de Titânio, ou espiões especiais como a Viúva Negra e o Espião Mestre. Duramente atacado na época da reação à Guerra do Vietnã, amenizou sua postura anticomunista.

Evolução da Armadura de Ferro

A armadura era baseada na então recente tecnologia dos transístores, que as vezes eram chamados de "transístores miniaturizados". A principal arma era chamada de "raio repulsor", expelido das palmas das mãos da armadura. Logo depois das primeiras histórias, Stan Lee ouviu opinião de alguns empregados da Marvel e resolveu tornar a aparência do herói mais agradável: mudou a cor da armadura para dourado, passando o Homem de Ferro a ser chamado durante algum tempo de O Vingador Dourado.
As constantes inovações tecnológicas levaram o traje a ser sempre modificado em sua aparência. Dos transistores iniciais, ele agora se baseia em chips e nanotecnologia. Várias versões da armadura foram criadas para situações específicas, como uma versão espacial, e outras para fins de espionagem e atuações submarinas sob grande pressão. Houve duas bem específicas: uma gigante, usada para caçar o Hulk; e outra confeccionada especificamente para funcionar com a energia de uma pedra asgardiana.
Em 2005, a armadura do Homem de Ferro já estava em sua 49ª versão, apesar de que muitas das versões anteriores apresentavam apenas pequenas alterações.
Em 2008 foi alterada novamente, para que no filme aparecesse reluzente.

Os Vingadores

Geralmente ele atua como herói junto dos Vingadores, sendo que é membro desde a primeira formação da equipe. É um grande amigo do Capitão América. Juntamente com Thor, o Homem-Formiga, a Vespa e Hulk, fundou os Vingadores. A mansão deste super-grupo foi doada por Stark e serviu como base dos super-heróis desde as primeiras histórias.
O Homem de Ferro chegou a criar outro grupo de super-heróis, que no Brasil ficou conhecido como Força Tarefa.



Aventuras Recentes

a) Uma fase complicada

Stark foi levado à falência por um rival chamado Obadiah Stane (criador da armadura do Monge de Ferro), que o levou a um colapso emocional e problemas com alcoolismo. Ele teve de abandonar a identidade do Homem de Ferro, transferindo-a para um de seus empregados, o ex-militar James Rhodes. O segundo Homem de Ferro agia sob as instruções de Tony Stark e participou de momentos decisivos da cronologia do universo Marvel (como, por exemplo, as Guerras Secretas). Stark recuperou-se financeiramente criando uma nova companhia, a Circuits Maximus, mas enquanto a reerguia, Rhodes continuou no controle do traje. Com o tempo Rhodes foi se tornando cada vez mais agressivo, beirando a loucura. O motivo disso era o traje estar calibrado para funcionar em conjunto com a mente de Tony Stark. Depois de salvar Rhodes e derrotar Stane, Tony decidiu se dedicar a destruir todos os trajes de combate baseados no seu, por serem perigosos demais. Essa perseguição aos vilões cibernéticos teve uma conclusão trágica quando Stark, ao lado da Viúva Negra e de um novo Dínamo Escarlate - o militar russo Valentin Shatalov - enfrentaram o ensandecido Homem de Titânio original (Boris Bullski).
Indignado com a Rússia, ele fugiu de uma base militar e tentou matar Tony Stark durante uma cerimônia de inauguração de uma fábrica da Stark em solo russo.
Após enfrentar Homem de Ferro, Viúva e Dínamo, o Homem de Titânio fugiu - não sem antes quebrar a perna do Dínamo. Sensibilizado, Stark assumiu a armadura do herói russo e saiu no encalço do perturbado Homem de Titânio. A batalha teve um fim trágico no antigo campo espacial de Baikonur, ex-sede do programa espacial russo. Controlando a armadura à distância, Shatalov acionou o canhão de fusão e, literalmente, arrasou o Homem de Titânio - e, por tabela, metade das instalações. Bullski morreu dentro da armadura que, ironicamente, se tornara seu corpo com o decorrer dos anos, visto que não podia mais se separar dela devido aos procedimentos usados para a montagem da mesma.
A esse choque psicológico, se seguiu outro físico: o uso constante do traje do Homem de Ferro estava destruindo o sistema nervoso de Tony Stark. Enfraquecido e, mais tarde, paraplégico após ser baleado por uma ensandecida ex-amante, Stark não podia mais lutar em pessoa e teve que desenvolver uma versão do traje do Homem de Ferro controlável à distância. Quando essa versão provou não ser suficiente ante uma ameaça em particular, Stark produziu uma nova armadura, mais poderosa que veio a ser chamada de Máquina de Combate. Essa foi mais eficiente contra seus inimigos, mas tinha os mesmos efeitos que sua armadura antiga sobre sua saúde. Muito tempo depois, Stark recobrou a mobilidade das pernas após - literalmente - exigir o uso em si mesmo de um revolucionário biochip.
Stark decidiu fingir sua morte enquanto se recuperava. Rhodes, que não foi avisado sobre esse plano, assumiu o comando das Empresas Stark e da Máquina de Combate. Quando Stark reapareceu curado, Rhodes ficou furioso por ele ter enganado a ele e a outros amigos e partiu, levando consigo a Máquina de Combate.
Rhodes passou a atuar esporadicamente usando o traje do Máquina de Combate. A mini-série War Machine lançada em 2004 pelo selo Marvel Max mostrou Rhodes no comando de um esquadrão formado por várias Máquinas de Combate a serviço da S.H.I.E.L.D. Tony Stark, que havia brigado com Rhodes, é mostrado furioso e confuso pelo fato dessa agência governamental ter conseguido acesso à sua tecnologia robótica secreta.

b) Extremis

A médica Maya Lopes desenvolveu um vírus que foi injetado no terrorista Mallen. Este vírus garantia superforça, fator de cura bem avançado, velocidade, e no caso de Mallen, fogo e raios.
Após uma sangrenta batalha, o Homem de Ferro sai muito ferido e é levado para o hospital de Maya, que o convence de que a única forma de sobreviver seria injetando o vírus Extremis nele.
Tony Stark aceita receber o vírus, mas como antes ele havia feito alguns 'upgrades' na armadura, fazendo com que a primeira camada da armadura saisse dos orificios de seus ossos. Como ele mesmo diz, "agora Tony Stark é o Homem de Ferro, por dentro e por fora", o vírus beneficiaria a mesma em conjunto com seu corpo.
Após a injeção do virus, ele luta contra Mallen, luta esta que resulta na morte do terrorista.

c) Civil War

Quando os Novos Guerreiros atacam um grupo de super-vilões em seu programa de TV, um deles se detona e destrói a metade de um bairro de classe média nos Estados Unidos. O medo de seres poderosos faz com que o governo americano crie uma lei obrigando o registro de cidadãos com super poderes. Isso dá início a saga Guerra Civil, que coloca em lados opostos os antes aliados, Capitão América (pela liberdade dos cidadãos de seu país) e Homem de Ferro (trabalhando para o governo e apoiando o registro). O fim da saga mostra a suposta vitória do grupo liderado pelo Homem de Ferro, com a subsequente prisão e morte do Capitão América.
Nesta saga da Marvel, se descobre que o Homem de Ferro é um dos Illuminati. Sociedade secreta dos heróis mais poderosos e influentes que determinam, de certa forma, os destinos dos outros entes super-poderosos do planeta. Esse grupo é composto por Homem de Ferro, Reed Richards, Namor, Doutor Estranho, Raio Negro e Charles Xavier (Professor X).
As decisões deste poderoso grupo, de alguma forma, influenciaram nas vidas de todos os super heróis e vilões do Universo Marvel, como o exílio do Hulk para outra galáxia (Saga Planeta Hulk). Mais recentemente, os Illuminatis são os personagens e alvos principais da nova saga da Marvel, "Hulk contra o Mundo".

Poderes

Tony Stark não possui nenhum poder além de seu grande intelecto, mas seu traje possui vários apetrechos tecnológicos. A armadura é o testemunho da genialidade de seu criador. A parte interior é revestida de titânio com ouro, sendo enrijecida por um campo magnético. Geralmente, ela é guardada dentro da sala executiva de Stark, num compartimento secreto. Possui diversos equipamentos (computador de navegação, diversos tipos de sensores, sistemas de iluminação, emissores de pulso eletromagnéticos, sonar, disruptor sônico, compartimentos de reserva de oxigênio), entre muitos outros apetrechos.
A maioria dessas habilidades não estavam presentes no traje original do Homem de Ferro, datado de 1963.
Após a injeção do vírus Extremis, Tony Stark ganhou vários novos poderes: força e velocidade sobre-humana, e com uns dos upgrades que ele fez nele mesmo, agora ele pode se conectar em qualquer rede, incluindo satélites, celulares, etc., ou seja, ele "enxerga" com a mesma precisão de um satélite.

Principais Inimigos
• Obadiah Stane ou Monge de Ferro
• Mandarim
• Doutor Destino (Poucas, mas memoráveis batalhas/alianças)
• Unicórnio
• Estrela Vermelha
• Fantasma Vermelho
• Controlador
• I.M.A.
• Dínamo Vermelho
• Homem de Titânio
• Espião Mestre
• Justin Hammer
• Robo Arsenal
• Laser Vivo
• Viúva Negra
• Conde Nefária
• Fin Fang Foom

Principais Aliados
• Madame Máscara
• Michael O'Brien, o Guardião.
• Bethany Cabe
• Janice Cord
• Nick Fury e S.H.I.E.L.D
• Capitão América e Thor e todos os outros hérois (incluindo Vingadores, Quarteto Fantástico, X-Men e etc.).

Em outras mídias

a) Animação
Nos anos 60, Homem de Ferro foi um dos cinco heróis adaptados na série The Marvel Super Heroes. A animação era limitada, basicamente uma transcrição dos quadrinhos, e a série ficou conhecida pela música tema (no Brasil, traduzida como "Tony Stark / Tira onda / Que é cientista espacial / Mas também é / Homem de Ferro / Elétrico, atômico, genial").
• Iron Man, outra série animada fora lançada em 1994, durando duas temporadas com Robert Hays fazendo o herói na dublagem original. Essa versão também participou em episódios dos desenhos animados do Hulk e do Homem-Aranha que passavam ao mesmo tempo. Um filme animado, O Invencível Homem de Ferro, foi lançado em DVD em 2007, e uma nova série, Iron Man: Armored Adventures, foi lançada na Nickelodeon em 2009.
O Homem de Ferro também fez pontas no desenho dos anos 80 Homem-Aranha e Seus Incríveis Amigos, e na animação recente do Quarteto Fantástico.

b) Filme
Com direção de Jon Favreau e protagonizado por Robert Downey Jr. como Tony Stark, o filme estreou no Brasil em 30 de abril de 2008. No filme temos a origem do Homem de Ferro, que mostra a trajetória de um homem que, de um rico e playboy famoso, dono da maior empresa fornecedora de armas para o exercito americano, passa a ser o defensor dourado contra o crime. O primeiro filme, inteiramente produzido pela Marvel (a Paramount Studios apenas distribuiu), foi muito bem-sucedido, recebendo boas críticas e faturando $566 milhões mundialmente (a segunda maior bilheteria do ano). Estão previstas, mas duas continuações.
Robert Downey Jr. também faz uma ponta como Tony Stark, na cena final do filme "O Incrível Hulk" de 2008.

b) Games
Três jogos foram estrelaram pelo herói: Iron Man and X-O Manowar in Heavy Metal (Acclaim, 1996, diversas plataformas), The Invincible Iron Man (2002, Game Boy Advance) e Iron Man (Sega, 2008, diversas plataformas), a última sendo uma adaptação do filme.
O personagem também é jogável em Captain America and the Avengers (1991) , Marvel Super Heroes: War of the Gems (1996), nos jogos de luta da Capcom (Marvel Super Heroes, e a série Marvel vs. Capcom), Marvel Nemesis: Rise of the Imperfects e Marvel Ultimate Alliance. O Homem de Ferro aparece como personagem secreto nos jogos Tony Hawk's Underground (após terminar o jogo) e X-Men Legends II: Rise of Apocalypse (após achar as 4 partes de sua armadura nas 4 primeiras fases e na quinta fase encontrar Tony Stark).
Tony Stark e suas empresas fazem uma ponta no jogo de 2005 do Justiceiro, e no jogo de 2008 The Incredible Hulk, o Homem de Ferro aparece para enfrentar o Hulk caso este cause muita destruição.

Links para downloads

Iron Man Volume 1 # 01 a 10

#01 http://www.badongo.com/file/7821962

#02 http://www.badongo.com/file/16100353

#03 http://www.badongo.com/file/7822035

#04 http://www.badongo.com/file/10357593

#05 http://www.badongo.com/file/12842409

#06 http://www.badongo.com/file/7822070

#07 http://www.badongo.com/file/14325314

#08 http://www.badongo.com/file/14325372

#09 http://www.badongo.com/file/7822117

#10 http://www.badongo.com/file/16100384


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

The Spirit de Will Eisner


THE SPIRIT

Criado pelo desenhista, roteirista e editor Will Eisner, nome mais influente do quadrinho americano, o Spirit surgiu junto com a febre dos super-herois que dominou a indústria das HQs em 1938, com a chegada do Super Man. Com trabalhos sob encomenda para diversas editoras, Eisner criou uma leva de super-herois para atender o novo mercado, como Blackhawk, Black Condor, Doll Man, Tio Sam e até Wonder Man, um plágio descarado do Super Man. Mas foi a partir de um convite de Everett M Arnold, um dos editores da Quality Comics, que as comics ganharam novos rumos. Eisner foi chamado para produzir a historia principal de um novo formato de quadrinhos publicados em jornais. Ao invés de distribuir as historias como tiras, todas seriam reunidas em um suplemento de 16 páginas, para ser vendido junto à edição de domingo.
Eisner não planejava nada relacionado a super-herois, já Everett não abria mão do conceito. Depois de algumas discussões, estreava em 2 de junho de 1940, na primeira edição do Comic Book Section um super-herói muito diferente dos outros: The Spirit, um detetive mascarado que se envolvia com belas e mortais criminosas, se feria e nem sempre vencia no final.

Origem

A primeira historia de Spirit começa com o ultimo caso de Denny Colt, detetive de Central City no encalço de um cientista renegado. O Dr. Cobra. Após invadir o seu covil, Denny é exposto a um produto químico, dado como morto e enterrado no cemitério de Wildwood. O que ninguém poderia imaginar é que o produto de Cobra não causava a morte, mas uma espécie de catalepsia. Ao acordar dentro de um caixão Denny arromba a própria tumba e, desorientado, procura seu grande amigo, o Comissário Dolan, para contar a sua historia. Ao perceber que poderia se beneficiar com a situação, Denny se muda em definitivo para um jazido de cemitério e passa a caçar e prender criminosos procurados, “vivendo folgadamente com o dinheiro arrecadado com recompensas”, nas palavras do próprio Dolan.
Para ocultar sua identidade, nada além de uma pequena máscara azul, que segundo a lenda, foi uma imposição de Everett para o visual ficar mais heróico. No combate ao crime, o detetive nunca usava armas e contava apenas com a intuição e seus punhos. Eventualmente, o Spirit recebia a ajuda de Dolan ou de Ébano Branco e Gordura, dois garotos que agiam como
informantes.

Uma Revolução

O Spirit pode ser considerado revolucionário em todos os sentidos. Arte e argumento se fundiam de forma única, em obras primas de sete paginas lançadas a cada suplemento, que ficou conhecido como The Spirit Section. A temática fugia do convencional, ao mostrar um homem comum sem poderes ou uniformes colantes, usando de inteligência e malandragem contra os criminosos, na melhor tradição do romance policial de autores como Raymond Chandler, em historias repletas de detetives durões e mulheres fatais. Aliás, mulheres fatais são um capitulo à parte: sedutoras e mortais, Silk Satin, Sand Saref, Silken Floss, P’Gell e muitas outras sempre foram o ponto fraco do herói conquistador, apesar de seu eterno namoro com a filha do comissário.
Outro detalhe inovador é que, assim como na vida real, o Spirit podia perder. Seus casos nem sempre eram resolvidos, os bandidos podiam se safar no ultimo momento e às vezes em que o detetive foi espancado, quebrou partes do corpo ou foi atingido por tiros e facadas mostravam aos leitores que a vida de combatente do crime não era fácil.
Quanto às referencias, fica claro que o Spirit recebeu influencias do Dick Tracy de Chester Gould, principalmente em relação à galeria de vilões. Mas a grande influencia da série sempre foi o cinema. Silk Satin foi inspirada em Katherine Hepburn, no filme Sylvie Scarlet, e P’Gell é muito parecida com a atriz Lauren Bacall.
A linguagem cinematográfica aparecia descaradamente no desenho de Eisner e pode-se dizer que o artista reinventou a forma de fazer quadrinhos ao inovar em enquadramento, iluminação, cortes e ritmo de narrativo. Isso elevou os quadrinhos a um novo nível com soluções utilizadas até hoje pelos desenhistas. As referencias ao cinema eram tantas que Eisner já foi chamado de “Orson Welles das HQs”, da mesma forma que Spirit é considerado o seu Cidadão Kane.

Esforço de Guerra

Em 1942, Eisner foi convocado pelo exercito americano para produzir cartazes e tiras para divertir e educar as tropas, mas isso não o impediu de enviar pelo correio rascunhos e idéias de roteiro do detetive mascarado para serem finalizadas por seu estúdio. Ao final de 1942, o Spirit passou a ser produzido de forma integral pelos artistas do estúdio, em especial Lou Fine nos desenhos e William Woolfok e Manly Wade Wellman, nos roteiros que atuavam como “colaboradores fantasmas”, sem assinar os trabalhos. Apesar de não manter o mesmo nível das historias originais, a equipe conseguiu segurar a publicação e o interesse do público.
Importantes nomes das Hqs passaram pelo estúdio de Eisner. Artistas como Bob Kane (Batman), Jack Kirby (Capitão América), Jack Cole (Homem Borracha), Joe Kubert (Sargento Rock), Wally Wood (Demolidor), George Tuska (Homem de Ferro), Jules Feiffer (cartunista do The Village Voice) e o haitiano André LeBlanc (Fantasma), que anos mais tarde se mudaria para o Brasil, onde realizou diversos trabalhos para a Ebal.

Melhor Fase do Herói

Em 1945, Eisner recebeu dispensa do exercito e voltou cheio de idéias para produzir as Hqs do seu herói detetive. È o inicio do que os especialistas consideram a “fase de ouro” do Spirit, com as famosas paginas de abertura em que o logotipo do mascarado sempre surgia de uma forma diferente. Também foi o período em que diversas vezes o Spirit se tornou coadjuvante em suas próprias Hqs, que se focavam cada vez mais nos dramas do homem comum, como na comovente historia de Gerhard Shnobble, um homem que sonhava em voar.
Por fim, com a declaração de que tinha feito tudo o que era possível dentro daquele universo, Eisner encerrou a produção do Spirit em 28 de setembro de 1952, com a incrível soma de 12 anos ininterruptos publicados, mais de 600 historias, cinco milhões de leitores semanais no auge da popularidade e uma tira diária para jornais que durou de 1941 a 1944. É importante citar que grande parte do sucesso de Spirit se deve ao total controle de Eisner sobre sua obra, ao contrario dos outros personagens criados pelo artista, que se tornaram propriedade das editoras que encomendavam os trabalhos.
Depois do fim, diversas editoras tentaram republicar historias do Spirit em projetos de curta duração. Entre as iniciativas que merecem destaque, está um numero do New York Magazine de 1966 e mais duas edições de uma revista lançada pela Harvey Comics, que não tivera continuidade. Em 1972, a Kitchen Sink lançou duas coletâneas do personagem, que foram o inicio do grande projeto da editora. A partir de 1983, a Kitchen passou a republicar historias do detetive mascarado, em 10 anos contínuos de um cuidadoso trabalho editorial. Isso gerou fôlego suficiente para a primeira experiência fora das telas com o detetive, um filme televisivo do Spirit produzido em 1986, que pretendia ser o piloto de um seriado. Uma pena que os produtores não conseguiram o humor irônico e sutil do herói. Aliado ao baixo orçamento, uma trama passada nos anos 80 e um ator pouco carismático no papel principal (Sam Jones, o Flash Gordon do filme de 1980), o projeto fracassou. Mas esses deslizes não macularam em nada a reputação do personagem nos quadrinhos, que no final da década de 90 passou a ser republicado pela DC Comics, na série de encadernados de luxo Will Eisner’s The Spirit Archives.
Ainda em 1997, a Kitchen Sink publicou oito edições de The Spirit – The New Adventures, uma fantástica coletânea com as maiores estrelas dos quadrinhos prestando homenagem em historias inéditas com o detetive. Participaram do projeto artistas como Alan Moore, Neil Gaiman, Dave Gibbons, Paul Chadwick, Eddie Campbell e Moebius.

O Retorno

No final de 2006, a DC lançou uma edição especial estrelada por Batman e Spirit, que deu inicio a uma nova revista mensal, com arte e argumento de Darwyn Cooke (DC: A Nova Fronteira), encarregado da difícil tarefa de continuar o trabalho de Eisner, além de atualizar o detetive aos nossos tempos. Cooke desenvolveu um elogiado trabalho, seguido pela atual equipe criativa, Mark Evainer e Sergio Aragonés nos roteiros e Paul Smith na arte. A escolha de surpreendeu os leitores, já que Evainer e Aragonés são famosos por seu trabalho humorístico. Mas os artistas também são fanáticos pelas historias de Eisner e têm mantido o bom nível da revista.
Infelizmente, Eisner não chegou a ver a continuidade de seu trabalho pois morreu em 2005, aos 87 anos no Centro Médico da Flórida, em Lauderdale Lakes. Em homenagem ao autor, a mais famosa premiação doa quadrinhos leva o seu nome, o Prêmio Eisner, criado em 1988.

Um Espírito no Brasil

A historia do Spirit em nosso país é longa e passa por diversas editoras que, desde a década de 40, publicam os casos do detetive. Passando por pioneiros como Suplemento Juvenil, Globo Juvenil e Gibi Semanal, coletâneas muito parecidas com The Spirit Section, até a ultima série de encadernados lançados pela Acme na década de 90. As novas historias do herói vem sendo publicadas pela Panini Comics, mas o material clássico do personagem continua sem novas republicações. Isso é uma pena, já que em suas diversas visitas ao Brasil, Eisner dizia que era mais reconhecido aqui do que nos Estados Unidos. O autor fez grandes amizades entre os quadrinhos nacionais e foi tema de um documentário, o Will Eisner – Profissão Cartunista.

De volta as telas

O anuncio de um filme do Spirit, escrito e dirigido por Frank Miller – um dos maiores discípulos de Eisner – fez a alegria dos fãs. Grande conhecedor do universo do personagem, Miller destacou um time de beldades para interpretar as mulheres da vida do detetive, com Eva Mendes (Sand Saref), Scarlett Johansson (Silken Floss), Sarah Palson (Ellen Dollan) e Paz Vega (Plaster de Paris). Curiosamente, Miller não utilizou duas das personagens mais famosas das Hqs, Silk Satin e P’Gell, prova de que o diretor guardou munição para uma possível continuação.
Mas as polemicas começaram assim que as primeiras imagens foram divulgadas. Os leitores ficaram em duvida sobre o que esperar da adaptação, que ganhou visual semelhante a Sin City, filme baseado numa revista de auditoria do próprio Miller e estranhas declarações do diretor, de que o Spirit (Gabriel Macth) teria superpoderes. Isso somado as fotos que mostram de forma caricata o vilão Octopus (Samuel L. Jackson), personagem que nunca mostrou o rosto nas Hqs, só aumentou a apreensão dos fãs. A produção estreou nos Estados Unidos em 25 de dezembro, com criticas negativas e uma bilheteria abaixo do esperado, indícios de que talvez Miller tenha se dedicado demais ao visual do filme e pouco ao roteiro.
Mas seja qual for o resultado nos cinemas e mesmo com décadas de distancia, as divertidas e humanas tramas, do detetive mascarado continuarão a encantar gerações de leitores.

Matéria extraída da revista Mundo dos Super-herois n°14 de fevereiro de 2009

downloads:

Batman/Spirit
http://www.mediafire.com/?cktfwfmdbyj

Série de 2007

The Spirit #01
http://www.mediafire.com/?f0nywtld11t
http://www.mediafire.com/download.php?ymjjy4bzmnj
The Spirit #02
http://www.mediafire.com/?fnpjhdzzdmg
http://www.mediafire.com/download.php?fhjovtjyzdn
The Spirit #03
http://www.mediafire.com/?jvg1ifdnjgu
http://www.mediafire.com/download.php?jnzamdyzryt
The Spirit #04
http://www.mediafire.com/?wftueetmbng
http://www.mediafire.com/download.php?nmvnglymlte
The Spirit #05
http://www.zshare.net/download/2007184643228f8e/
The Spirit #06
http://rapidshare.com/files/161257401/The_Spirit_06_GiBiscuits_BR.cbr
The Spirit #07
http://www.4shared.com/file/70864915/d1ee95b7/The_Spirit_07_2007__GiBiscuits_BR.html
The Spirit #08
http://www.4shared.com/file/74023716/3232d100/The_Spirit_08_2007__Gibiscuits_BR.html
The Spirit #09
http://www.4shared.com/file/98120274/876ed14c/The_Spirit_09__2007__Gibiscuits.html
The Spirit #10
http://rapidshare.com/files/235794455/The-Spirit_010__2007__Gibiscuits_Tropa-BR.cbr
The Spirit #11
http://www.4shared.com/file/105611431/9900fdb5/The_Spirit_11_Gibiscuits_Tropa-BR.html
http://www.mediafire.com/?munhiaymvjm
The Spirit #12
http://www.4shared.com/file/107554090/c0b4b800/The_Spirit_12_Gibiscuits.html











domingo, 4 de outubro de 2009

Vilão...Eu?


Indivíduos que elaboram e modificam softwares e hardwares de computadores, seja desenvolvendo funcionalidades novas, seja adaptando as antigas. Essa é a definição da palavra “hackers”, segundo a enciclopédia Wikipédia. Ou seja, ao contrario de como ficaram conhecidos, os hackers são, nas verdade, profissionais que na maioria das vezes utilizam seu conhecimento para melhorar softwares de forma legal.

Entretanto, assim como existem profissionais nas mais diversas áreas de atuação, há os hackers que se valem de seu talento e conhecimento para burlar os dispositivos de segurança das empresas visando conseguir informações confidenciais. Mas, nesse momento, eles assumem outra identidade: crackers, os verdadeiros vilões da informática.

A palavra “cracker” refere-se a programadores que agem com o intuito de violar ilegalmente sistemas cirbeneticos. Portanto, quando tomamos conhecimento de um hacker que comete crimes na web, o melhor é chama-lo de cracker. Esses ciberpiratas usam tecnologia para invalidar computadores, descumprindo a lei em beneficio próprio. Resumindo: todo hacker mal-intencionado é um cracker.

UMA PROFISSÃO

Atualmente, as mídias impressa, eletrônica e audiovisual vem utilizando termo “cracker” pelo simples motivo de que o “hacker” é considerado uma profissão. Pode-se, inclusive, dizer que os “bons” hackers combatem os crackers, na medida em que identificam ameaças e vulnerabilidades desconhecidas para a empresa à qual trabalham, minimizando assim o risco de os “piratas” acessarem informações confidenciais.

O administrador de rede Evaristo Oliveira Quintão explica que a diferenciação entre crackers e hackers é bastante recente. “A partir do momento em que a ocupação de hacker passou a ser fonte de trabalho, começou-se a usar o termo cracker como referencia àqueles que descobrem senhas com fins escusos – para roubar bancos ou contas pessoais, por exemplo. Enquanto o termo hacker ficou mais limitado aos que trabalham com segurança de informação, até com a intenção de “invadir”, mas objetivando testar a segurança nas empresas”, esclarece.

De acordo com Evaristo Quintão, as empresas e os usuários domésticos de computadores são igualmente afetados pela ação dos crackers. “Se através da ação de um cracker, um portal sai do ar, isso representa um grande prejuízo, mesmo que não se percam informações. Já em relação a usuários domésticos, o principal intuito dos crackers é o roubo de senhas de bancos. Para isso, instalam vírus que capturam estas senhas. A partir daí, eles fazem as temidas transferências de dinheiro”, explica.

Boa parte das empresas continua muito vulnerável à ação desses indivíduos, na maioria das vezes acreditando que o investimento (alto) em segurança não é tão importante, o que não é verdade. “Claro que existem muitas que têm essa preocupação, apesar de ser algo que demande recursos para a contratação de profissionais, equipamentos e softwares. É um trabalho meio ‘invisível’, por isso não aumenta o espaço nos computadores, nem a velocidade da rede. E é exatamente por esse motivo que muitos grupos acabam deixando de lado a segurança, acreditando erroneamente que nunca terão um problema, o que os torna vulneráveis”, analisa.

CUIDADOS DO INTERNAUTA

Evaristo explica que o usuário de computador deve evitar ao maximo entrar em sites pouco confiáveis ou baixar programas sem critério, pois muitas vezes estão infestados de vírus. “O internauta também precisa ter todo o cuidado com spam (e-mail com mensagens não solicitadas), que é uma fonte grande de propagação de vírus. Quando recebemos algum e-mail que não interessa ou que parece minimamente suspeito, o melhor é nem abrir e deletá-lo imediatamente”, alerta.

Ainda de acordo com o administrador de rede, deve-se prestar muita atenção ao abrir sites de instituições bancarias. “Quando recebemos e-mail de um banco avisando que há, por exemplo, uma atualização de segurança ou alguma novidade importante no mercado, precisamos ficar atentos quando posicionamos o mouse em cima de links (palavras ou imagens que, ao serem clicadas, servem como atalhos para outra pagina da internet). O ‘endereço’ que surge nesse momento deve coincidir com o que aparece no pé da pagina, que indica para onde passaremos a seguir”, ensina.

Quanto menos curiosos e mais seletivos forem os internautas ao navegarem na internet, menos riscos correrão. E quanto mais empresas investirem em segurança – quando o assunto for a grande rede -, menos campo de ação terão os crackers. E por que não contar com eles, os hackers, nessa empreitada?


Matéria extraída da revista Plenitude de março de 2009

Caindo na Real - Toca Raul 20 anos



“Isso é musica de velho” é o que a geração “clap your hands” diz quando ouve Raul. A mente foi tão deteriorada pelas batidas “dance” e suas letras que não falam coisa com coisa que eles não têm a capacidade de perceber quando estão ouvindo uma musica de qualidade. Eles não conseguem perceber a filosofia que Raul utilizava em suas letras para descrever sua maneira de pensar sobre o mundo a sua volta, questionando a situação do pais de maneira irônica. Como um ser desses pode falar mal de Raul se eles ouvem “Body Everybody” e dizem que é a musica de suas vidas? Para você que é fã de Raul e pra você que é um merda que acha que entende de musica, ouvindo Lady Gaga, vamos sacar um pouco da historia de Raul, na verdade sobre seus últimos momentos.

Enquanto o Brasil estava curtindo a Bossa nova e suas estórias de barquinhos e amores que vem e vão, o maluco beleza já se aventurava por ai com sua guitarra e seus covers de Elvis e outros astros do rock internacional. Só depois do movimento Tropicália (viadagem) é que os bocós começaram a perceber que tinha um brother ali tocando sua guitarra e misturando rock com baião. Um brother tão foda que uniu a musica a filosofia.

Assim como um de seus ídolos, Elvis Presley, Raul conseguiu se eternizar. Seus sucessos são tocados até hoje nas rádios e estão na boca do povo. Quem nunca cantou “Eu vou ficar maluco beleza...” no banho?

O seu sucesso pouco antes de sua morte era cheia de altos e baixos. O álcool foi um grande companheiro de Raul, mas também sua perdição. Quando velhos sucessos começaram a tocar repetidamente nas rádios na tarde daquela segunda-feira, 21 de agosto de 1989, não foram poucos os que se surpreenderam. Com Raul ausente das paradas desde “Cowboy Fora da Lei”, dois anos antes, escutar antigos hits como: “Ouro de Tolo”, “Gita”, “Metamorfose Ambulante” e “Maluco Beleza” no meio da programação regular – que então ia da revelação Marisa Monte e Chitãozinho e Xororó e Milli Venilli, passando por Legião Urbana – deveria significar alguma coisa. E a noticia não demorou a chegar.

Se para muitos foi uma surpresa, para os que acompanhavam o artista era mais do que esperado. Suas ultimas aparições publicas causavam um misto de choque e comoção. Mesmo com a saúde bastante debilitada, a lenda do rock brasileiro arrastava multidões em seus shows. Apoiado pelo amigo e discípulo Marcelo Nova, acabara de realizar uma extensa e bem-sucedida excursão por todo o País. A derradeira apresentação foi em Brasília, poucos dias antes de ser encontrado morto no modesto apartamento onde morava em São Paulo. A semana que seguiu ao show no Planalto Central seria de descanso e de preparação para as atividades programadas para o lançamento do disco gravado nos intervalos das apresentações pelo Brasil.

“A Panela do Diabo”, batizado pela dupla por inspiração de evangélicos que distribuíam panfletos comparando Raul ao Belzebu na porta de um show no interior de São Paulo, era o resultado da parceria que uniu os dois irrequietos baianos no momento em que o País vivia uma de suas mais importantes transições.

As primeiras apresentações conjuntas de Raul e Marcelo Nova foram na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, a apenas duas semanas da promulgação da Constituição de 1988. Mas se os novos tempos traziam liberdade total de expressão, o que faltava agora a Raul era motivação. Diabético, com uma pancreatite crônica decorrente do alcoolismo e recém-separado da ultima das cinco mulheres com que foi casado, estava depressivo e amargurado. O sarcasmo, a ironia e a índole zombeteira e verborrágica que por anos marcava suas aparições e musicas deram lugar a uma figura calada.

O convite do ex-lider do Camisa de Vênus para os shows – junto a um necessário acompanhamento médico – deu uma injeção de animo em Raul. Já na chegada a Salvador para as primeiras aparições a dupla chegou zombando de Gilberto Gil, que dava na capital baiana os primeiros passos da carreira política que culminaria anos depois com o cargo de ministro da cultura no governo de Lula. O atual presidente, na época disputando a sua primeira eleição presidencial, também foi alvo da dupla. Com a inédita campanha eleitoral para a escolha do novo presidente a pleno vapor em meados de 1989, o magro barbudo e Marcelo declaravam que não acreditavam em alguém que não ria, referindo-se a sisudez do petista, considerada um dos principais fatores da rejeição a ele.

Raul não viveria para ver o relativo sucesso do disco. Morreu aos 44 anos no dia em que o LP chegava as lojas. Também não viu o resultado daquelas eleições, a iminente queda do muro de Berlim, a chegada da MTV, os anos 90, a internet.
Isso só foi um pouco sobre Raul. Para você cabeça mole que acha que isso ainda é musica de velho deveria para de bater punheta ouvindo Nx-zero e Fresno e perceber que a maioria das bandas que existem hoje tem influencias de Raul com: Jota Quest, Skank, Raimundos entre outros.

Vinte anos depois da sua morte, continuamos descobrindo Raul Seixas – ver, entender e compreender o homem por trás do Maluco Beleza.

Frases:

“A arte de ser louco é jamais cometer a loucura de ser um sujeito normal.”
“Ninguém tem o direito de me julgar a não ser eu mesmo. Eu me pertenço e de mim faço o que bem entender.”
“Só há amor quando não existe nenhuma autoridade.”
“Quero ter a certeza dos loucos que brilham. Pois se o louco persiste na sua loucura, acabará sábio.”
“Eu não sou louco, é o mundo que não entende minha lucidez.”
“Antes de ler o livro que o guru lhe deu, você tem de escrever o seu.”


Raul Santo Seixas
‡ 28/06/1945
† 21/08/1989